Revista Brasileira de Avaliação
http://www.rbaval.periodikos.com.br/article/doi/10.4322/rbaval.202600122026
Revista Brasileira de Avaliação
Ensaio

Avaliação decolonial e interseccional no SUS: Raça, gênero e território como chaves para repensar a equidade em saúde

Decolonial and intersectional evaluation in the SUS: Race, gender, and territory as keys to rethinking health equity

Sheila Calixto Silva de Albuquerque, Flávia Valéria Vieira da Cruz, Roseli Joseli da Silva, Luiz Valério Soares da Cunha Júnior

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Resumo

Este ensaio propõe uma reflexão teórico-analítica da avaliação em saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), problematizando seus pressupostos epistemológicos e políticos a partir de uma perspectiva decolonial e interseccional. Parte-se do entendimento de que a avaliação, frequentemente concebida como instrumento técnico e neutro, opera como tecnologia de poder que produz visibilidades e invisibilidades, hierarquiza sujeitos e contribui para a reprodução das desigualdades sociais. No contexto brasileiro, tais processos incidem de forma particularmente aguda sobre populações historicamente subalternizadas, como pessoas negras, populações periféricas e a população LGBTQIAPN+, cujas experiências de adoecimento e acesso ao cuidado permanecem marginalizadas nos processos avaliativos. Articulando contribuições da literatura sobre colonialidade do poder, interseccionalidade e saberes territoriais, o ensaio argumenta que a incorporação das dimensões de raça, gênero, sexualidade e território constitui condição fundamental para o fortalecimento da equidade em saúde. Defende-se que uma avaliação decolonial interseccional, ao reconhecer a centralidade dos contextos sociais e dos saberes subalternizados, pode contribuir para a construção de práticas avaliativas mais éticas, críticas e comprometidas com a justiça cognitiva, social e racial no SUS.

Palavras-chave

Avaliação em saúde. Equidade. Colonialidade. Interseccionalidade

Abstract

This essay proposes a theoretical-analytical reflection on health evaluation within the Unified Health System (SUS), problematizing its epistemological and political assumptions from a decolonial and intersectional perspective. It is based on the understanding that evaluation, often conceived as a technical and neutral instrument, operates as a technology of power that produces visibilities and invisibilities, hierarchizes subjects and contributes to the reproduction of social inequalities. In the Brazilian context, such processes have a particularly acute impact on historically subalternized populations, such as black people, peripheral populations and the LGBTQIAPN+ population, whose experiences of illness and access to care remain marginalized in evaluation processes. Articulating contributions from the literature on coloniality of power, intersectionality and territorial knowledge, the essay argues that incorporating the dimensions of race, gender, sexuality and territory is a fundamental condition for strengthening health equity. It argues that an intersectional decolonial evaluation, by recognizing the centrality of social contexts and subaltern knowledge, can contribute to the construction of more ethical, critical evaluation practices committed to cognitive, social and racial justice in the SUS.

Keywords

Health evaluation. Equity. Coloniality. Intersectionality.

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Submetido em:
25/01/2026

Aceito em:
28/08/2026

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