Metodologias participativas e interseccionais para avaliações decoloniais com equidade étnico-racial
Participatory and intersectional methodologies for decolonial evaluations with ethno-racial equity
Francilene da Silva Abreu
Resumo
Este estudo problematiza os limites das práticas avaliativas tradicionais no Brasil, frequentemente orientadas por referenciais eurocêntricos que invisibilizam saberes de comunidades negras, quilombolas, indígenas e periféricas. Defende-se que metodologias participativas e interseccionais oferecem caminhos decoloniais para avaliações comprometidas com a equidade étnico-racial. Integram-se perspectivas críticas – racismo ambiental, interseccionalidade e epistemologias do Sul – às práticas avaliativas. O percurso empírico inclui análise documental de políticas públicas brasileiras, relatórios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, produções acadêmicas e documentos da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e do Ministério da Igualdade Racial. A abordagem metodológica é qualitativo-crítica, articulando revisão bibliográfica sistemática e análise interseccional. Os achados indicam que tais metodologias ampliam a legitimidade das avaliações, fortalecem a justiça social e reconhecem saberes plurais, promovendo transformação, inclusão e democratização do campo ao incorporar vozes historicamente marginalizadas. Fundamenta-se em Robert D. Bullard, Henri Acselrad, Abdias do Nascimento, Kimberlé Crenshaw, Sueli Carneiro, Achille Mbembe e Rosana de Freitas Boullosa et al, evidenciando que abordagens sensíveis a contextos sociais e raciais enfrentam desigualdades estruturais e fortalecem a diversidade epistêmica.
Palavras-chave
Abstract
This study problematizes the limits of traditional evaluation practices in Brazil, often guided by Eurocentric frameworks that render the knowledge of Black, Quilombola, Indigenous, and peripheral communities invisible. It argues that participatory and intersectional methodologies offer decolonial pathways for evaluations committed to ethno-racial equity. Critical perspectives – environmental racism, intersectionality, and epistemologies of the South – are integrated into evaluation practice. The empirical corpus includes documentary analysis of Brazilian Institute of Geography and Statistics and National Institute for Colonization and Agrarian Reform, academic production, and documents from National Coordination for the Articulation of Rural Quilombola Black Communities and the Ministry of Racial Equality. (MIR). The methodological approach is qualitative-critical, combining a systematic literature review with intersectional analysis. Findings suggest that these methodologies increase the legitimacy of evaluations, strengthen social justice, and recognize plural knowledges, fostering transformation, inclusion, and the democratization of the field by incorporating historically marginalized voices. Grounded in Robert D. Bullard, Henri Acselrad, Abdias do Nascimento, Kimberlé Crenshaw, Sueli Carneiro, Achille Mbembe e Rosana de Freitas Boullosa et al, the analysis shows that approaches attentive to social and racial contexts confront structural inequalities and enhance epistemic diversity.
Keywords
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Submetido em:
26/01/2026
Aceito em:
13/03/2026
